Artigo: Fábrica de Cidadania


Artigos
12 de fevereiro de 2020 às 10h43min - Por Américo Rodrigo

Foto: Pedro França

As crianças e jovens formam um dos maiores patrimônios da nossa nação. E a palavra de ordem quando falamos em proteger e cuidar das nossas futuras gerações – hoje vulneráveis quando analisamos dados relacionados à violência e acesso ao mercado de trabalho -, é educação. A ação transformadora que impacta e repercute decisivamente na vida dessa parcela importante da nossa população está na inclusão social.

Concebido para ser uma verdadeira “fábrica de cidadania”, o Compaz (Centro Comunitário da Paz) é uma experiência muito bem sucedida na cidade do Recife e que poderia ter o olhar de todos que buscam a construção de uma cultura de paz com base na prevenção à violência, oferta de oportunidades e formação de mão-de-obra de jovens carentes moradores da periferia.

Baseado na experiência colombiana das Bibliotecas Parques e em outras fontes de espaços de cidadania, o Compaz possui hoje três unidades na capital pernambucana. Se destacam pela estrutura e serviços oferecidos, que vão desde cursos de capacitação, qualificação profissional, práticas esportivas e ações culturais, além de atividades educacionais e de saúde e bem estar. Tudo oferecido gratuitamente e tendo como foco modificar positivamente os indicadores sociais das comunidades onde estão situados, uma vez que não só geram oportunidades para os que utilizam esses equipamentos, mas também porque empregam moradores locais.

Dados oficiais apontam significativa redução da violência em um raio de um quilômetro desses equipamentos, o que levou o Compaz a ganhar o prêmio de melhor projeto de redução de desigualdade do Brasil, concedido Programa Cidades Sustentáveis e pela Oxfam Brasil. Reconhecimento nacional, de repercussão internacional. Não é pouca coisa. O equipamento já virou modelo no Estado do Pará, que vai construir 10 unidades que lá serão chamadas de “Usinas de Cidadania”. A cidade de São Paulo também sinalizou que fará unidades nos mesmos moldes, afinal, “copiar o bom é melhor do que inventar o ruim”.

O Compaz é o antagonismo à política discriminatória de governos que só enxergam as comunidades carentes como espaços marcados pela marginalização e não como um território cheio de oportunidades, sobretudo de sonhos e expectativas de gente honesta e trabalhadora. É um exemplo a ser seguido e expandido.

Jarbas Vasconcelos – Senador por Pernambuco


Comentários