Artigo: O silêncio dos inocentes


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31 de maio de 2020 às 09h36min - Por Américo Rodrigo

Foto: Divulgação

Já estamos a mais de sessenta dias em quarentena devido à Covid-19, em que nesse período muitos problemas vieram à tona, principalmente se falarmos na questão da política. Muitos acreditavam que nesse momento de provação, todos deveriam dar as mãos, mas infelizmente nos mostrou que a realidade e bem diferente, onde muitos foram para caminhos mais obscuros que o tradicional, a exemplo do governador do Rio de Janeiro (Wilson Witzel), do prefeito de Recife (Geraldo Júlio) e tantos outros pelo Brasil afora.

A falta de sensibilidade por parte da grande maioria dos políticos, é algo que simplesmente não tem explicação, porém alguns desses governantes já nasceram em berço de ouro, nunca passaram uma necessidade na vida, e por isso lhes faltam empatia. Vimos o exemplo aqui em Caruaru, quando o Governo Federal liberou o auxílio emergencial, onde pessoas num momento de desespero arriscavam suas vidas entre receber o valor para colocar comida na mesa ou serem contaminadas pela Covid-19. Qual foi a ação que tomaram, enquanto centenas de pessoas ficavam desabrigadas no sol, sem terem uma proteção, um copo com água, um sanitário? Ou seja, uma total falta de sensibilidade por parte do poder público municipal, pois enquanto a gestão cercava praças, deixavam as pessoas no sol a pino.

Outro ponto muito delicado e que merece uma atenção mais que especial, é quando falamos nas mais de 43.000 crianças e adolescentes da rede pública municipal de Caruaru, que estão sem receber o “kit merenda”. Hoje está completando exatos 50 dias, que foi distribuída a primeira remessa e que depois disto nada mais foi entregue. Mais um exemplo claro que existe uma disparidade entre a prática/ação com o discurso pregado pela gestão, quando a mesma diz: “nós cuidamos das pessoas”.

Enquanto muitos inocentes passam necessidades e outros até fome, a gestão se preocupa em continuar com algumas obras e compras que não fazem o menor sentido nesse momento, em que na realidade a preocupação deveria ser com as pessoas e não com a reeleição. No diário oficial do município, todos os dias vemos contratações que nos levam a uma análise. A exemplo do D.O. publicado no último dia 4 de maio, onde duas contratações nos levam a muitas perguntas: se estamos sem aulas nas escolas, qual a necessidade de comprar brinquedos (R$ 53.900), enquanto as crianças estão sem ter o que comer? Para que se comprar polpas de frutas e laticínios (R$ 245.210), se não são distribuídas e temos milhares de crianças estão sem ter o que comer? De que adianta abrir a boca e falar em rede de solidariedade, enquanto não se olha para dentro de casa e tenta amenizar o sofrimento de centenas de crianças inocentes? Estão querendo tampar o sol com a peneira, ou não conseguem escutar o som dos estômagos sem alimentos?

Quem já estudou em colégio público, sabe que muitas crianças só têm de refeição a merenda que oferecem nas escolas, e o que dizer das que estão a mais de sessenta dias sem pôr os pés nos seus respectivos educandários? Espero que nesse período pandêmico, tenhamos menos obras na cidade e mais comida nas mesas dos caruaruenses”.

Oscar Mariano
Publicitário
Cientista Político


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