O tempo de Tony Gel


Colunas
31 de julho de 2020 às 08h00min - Por Américo Rodrigo

Foto: Divulgação/Asces-Unita

Coluna: Política em Foco
 
“Tony Gel, sem dúvidas, é uma das maiores lideranças de Caruaru. Possui um carisma invejável e soube utilizar bem esta vantagem acumulando muita capilaridade e apoio nas periferias de Caruaru. Por outro lado, este elemento mais popular sempre foi um limitador junto à classe média da cidade, que em sua maioria, preferia se alinhar junto a Queiroz e aos Lyra.
 
A política, como tudo na vida, é feita de erros e de acertos. A diferença é que os erros sempre são mais lembrados do que os acertos. E no caso de Tony o erro mais notável, e reconhecido por ele próprio, foi a sua renúncia em 2008 para concorrer ao cargo de vereador. Foi esta decisão que abriu espaço para a chegada de Neguinho Teixeira ao Palácio Jaime Nejaim. As consequências, todos já conhecemos.
 
A catarse veio na eleição de 2016, quando Tony decidiu entrar na disputa e reconheceu que o movimento feito em 2008 foi um erro. A volta de Tony foi capaz de mobilizar toda a sua militância com uma força que não se via desde a eleição de 2004 e o resultado no primeiro turno foi contundente: 37,10% dos votos. No entanto, apesar do impacto provocado por sua votação no primeiro turno, logo ficou claro que o seu teto eleitoral estava próximo.
 
Tony terminou o segundo turno com 46,85%. Conseguiu crescer do primeiro para o segundo turno, mas tocou o teto. Esta eleição trouxe sinais importantes para Tony Gel e Ze Queiroz: Raquel era a renovação de um grupo político tradicional da cidade.  Logo, o tema da renovação geracional era urgente. Tony Gel e Ze Queiroz não deram atenção a isso.
 
A reeleição de Tony para a Assembleia Legislativa com quase 50 mil votos talvez tenha ofuscado a necessidade de renovar o seu grupo político. O fato é que este ano Tony Gel provavelmente pode estar cometendo o seu segundo grande erro: não ter encaminhado a renovação de seu grupo político. Estamos entrando no mês de agosto e não sabemos se Tony vai se lançar candidato novamente, se vai apoiar algum outro candidato ou se vai buscar renovar o seu grupo político.
 
A eleição de 2020 se desenha em um contexto cada vez mais dramático. Uma pandemia ceifando milhares de vidas, desestruturando a economia do país e exigindo uma capacidade enorme dos municípios de gerir uma situação de crise. Em Caruaru, para além de todos estes problemas, a oposição se desarticulou completamente e não consegue pautar o debate político. Raquel deve ir para a eleição em uma situação muito confortável: dominando o debate político e sem uma oposição organizada.”
 
Vanuccio Pimentel
Doutor em Ciência Política
Professor da ASCES-UNITA


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