Carta aberta ao Presidente da República


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3 de setembro de 2021 às 13h30min - Por Américo Rodrigo

Foto: Divulgação

Por Severino Souto Alves*

Senhor presidente, a imprensa vem noticiando que Vossa Excelência estará em Pernambuco neste final de semana e por isso, resolvi escrever-lhe publicamente e em nome do povo do nosso Estado.

Presidente, Pernambuco e seu povo ostentam uma história de resistência, basta uma simples pesquisa para constatar isso. Este chão foi palco de inúmeras batalhas em que o povo se uniu contra o inimigo invasor e, com esse espírito guerreiro e resistente, encaramos a sua presença hostil entre nós e vamos manifestar isso, não com violência que aliás é uma marca sua e dos que fazem seu governo, mas repudiando veementemente sua presença aqui.

Seus compromissos em Pernambuco iniciam na tarde desta sexta-feira, qual trabalhador do setor público ou privado não gostaria de viajar, com todas as despesas pagas, durante o horário que deveria estar em expediente para não produzir nada ? Sim, não produzir nada, uma marca da sua vida não é mesmo presidente? Afinal o senhor não produziu nada enquanto militar, péssimo militar diga-se de passagem, e partiu para a política onde está até hoje, também sem produzir nada, todavia, o “nada” aqui representa algo em favor do povo e é bom que se esclareça: quando é contra o povo e a seu favor ou de sua família, este nada se transforma em tudo…

Sabe, presidente, este país está caindo aos pedaços! O povo está morrendo de fome, Covid 19 e de vergonha, vergonha por ter chegado, na sua “gestão”, ao fundo do poço. Enquanto o senhor faz passeios de moto e cumpre agendas, como se ainda estivesse em campanha, os preços disparam: Gasolina, gás de cozinha, energia elétrica com risco iminente de apagão e feijão, sim presidente, feijão! item básico da alimentação do povo pobre que, muitas vezes, só tem ele para comer; e o senhor, presidente, tem comido o quê, fuzil?

O salário mínimo, ah o salário mínimo!, nunca foi tão esmagado como nos dias atuais e quem tem um na conta no final do mês agradece aos céus, pois, por culpa sua o desemprego nunca foi tão grande neste país e, consequentemente, no nosso Estado. Deste salário de miséria que nunca fez tanto sentido ser chamado de mínimo, a maioria da população brasileira paga as contas do mês que vão do aluguel ao pão de cada dia que não é fuzil, presidente, mas com certeza, para a maioria é feijão, só feijão.

Eu poderia escrever por horas citando os numerosos escândalos do seu governo, mas não preciso me dar este trabalho pois, a imprensa, esta que o senhor desrespeita sistematicamente em flagrantes ataques à liberdade de expressão  tem se ocupado de registrar, para o bom uso da história, todas as mentiras e absurdos que o senhor normalizou e ajudou a banalizar para iludir o povo. Sua “verborragia” presidente, não vai ficar impune e o povo já entendeu quem, verdadeiramente, é Jair Messias Bolsonaro, basta conferir as pesquisas eleitorais que já estão sendo feitas, sabe quem ganha em todos os cenários, presidente? Aproveito o momento para “soprar” nos seus ouvidos três letras mágicas: CPI essa comissão tem “sangrado” o mito Bolsonaro e deve ser responsável por algumas noites de insônia do senhor, não é mesmo presidente?

Para finalizar, não desejo tomar o tempo de alguém tão ocupado, quero dizer ao senhor, publicamente que, diante de tudo que foi citado acima e o que não foi, mas que a imprensa livre tem registrado, nós, povo Pernambucano, não queremos a sua presença aqui. Aproveite a sexta-feira para trabalhar, como todo brasileiro faz ou gostaria de fazer, mas não pode por não ter emprego. Aqui nós continuaremos “vestidos” com o verdadeiro verde e amarelo resistindo ao seu autoritarismo na certeza de que venceremos e que o senhor pagará por todos os seus atos. Ninguém vive de ódio presidente, não te queremos aqui, Bolsonaro!

*Severino Souto Alves
Presidente estadual do PSOL
Coordenador nacional do MTST