Procurador do MPPE critica monitoramento de secretário do Recife: “fere a Constituição”

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Por Redação
28 de janeiro de 2026 às 17h13min
Foto: Divulgação

A denúncia de investigação com uso de monitoramento praticada pela Polícia Civil de Pernambuco contra secretário da gestão João Campos (PSB), Gustavo Monteiro, segue repercutindo. Nesta quarta (28), o assunto entrou na pauta da 2ª Reunião Ordinária do Conselho Superior do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Em pronunciamento, o primeiro conselheiro do colegiado e ex-procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon, condenou o episódio e pediu apuração rigorosa da estrutura do MPPE responsável pela fiscalização e controle da atividade policial.

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De repente, me deparo com uma situação chata, preocupante. Toda a imprensa nacional falando de um monitoramento, rastreamento, sem o devido processo legal. E o mais grave: por um órgão que não tem competência para isso, que é o Dintel [Diretoria de Inteligência]. Teria que ser demandado por outro. Não tem nada formalizado. A conduta é totalmente contra o Estado Democrático de Direito e o que o Ministério Público sempre luta”, opinou.

Fenelon disse que mais grave que o monitoramento sem respaldo legal foi o fato de o Governo de Pernambuco ter insistido no argumento de que a medida foi correta. 

Ter ocorrido já foi uma grande preocupação. E o secretário dizer que é legal… eu não vinha falar desse assunto, mas vi o pronunciamento dizendo que era legal. Soube que o MP já fez ofício. Isso é muito bom. Mas é necessária uma apuração rigorosa. É necessário apurar a verdade, seja quem for o culpado. Não estou falando quem é o culpado, entrando no mérito, mas na forma desrespeitosa que atinge diretamente o Estado Democrático de Direito, fere a Constituição, fere a lei penal, fere tudo”, disparou.

O procurador também defendeu a entrada do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no caso para auxiliar o Centro de Apoio Operacional (CAO) de Defesa Social e Controle Externo da Atividade Policial diante dos apelos para que o MPPE apure um possível uso político da polícia em ano eleitoral. 

É necessária uma apuração rigorosa para saber quem é o responsável. Hoje, quando saí de casa, pedi para o zelador olhar embaixo do meu carro. Qualquer um de nós pode ser investigado hoje”, asseverou.

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