Cenário Político

Coluna da segunda: passado de Queiroz não garante seu futuro 

Victória Oliveira
Foto: Roberto Soares

Por Victória Oliveira*

Indo para o que pode ser sua última disputa eleitoral, o ex-prefeito de Caruaru por quatro mandatos, Zé Queiroz, se joga novamente ao cenário com a tentativa de retornar à Assembleia Legislativa de Pernambuco. Após divergências internas no PDT, legenda pela qual disputou todas as suas últimas eleições, Queiroz se filiou ao MDB em busca de viabilizar sua eleição. 

O contexto, no entanto, é bem diferente de outras campanhas. Vindo de duas derrotas seguidas, Queiroz encara agora uma disputa mais dura. Em Caruaru, seu principal reduto eleitoral, chama atenção a ausência total de apoio de vereadores, onde antes, mesmo sem mandato, concentrava um grupo de apoios para fazer oposição à atual gestão, fator que expõe fragilidade política e reduz, ano após ano, sua capacidade de articulação local.

Dentro do MDB, a tendência é que Queiroz entre na briga pela segunda vaga da chapa, cenário que, por si só, já impõe dificuldades diante de nomes competitivos que integram a sigla, a exemplo de nomes populares que sequer exerceram algum mandato, como é o nome da delegada Natasha Dolci e o Émerson Freitas, conhecido como “Repórter 01”. 

Sem uma base consolidada em Caruaru, o caminho se torna ainda mais estreito. Soma-se a isso o fato de ele poder recorrer a uma dobradinha na cidade com um nome sem histórico de mandatos eletivos, já que seu filho, o ex-deputado federal e hoje ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, recuou da disputa. Ainda há a possibilidade de uma aliança com o deputado federal Pedro Campos (PSB), o que geraria desgastes, já que o próprio Queiroz sempre defendeu a prioridade de dobradinhas com candidatos “da terra”.

Mesmo contando com apoios relevantes, como o do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), e do presidente estadual do MDB, Raul Henry, o cenário segue desafiador. Uma nova derrota tende a representar mais do que um revés eleitoral, pode sinalizar o enfraquecimento definitivo de um grupo político que já foi protagonista na cidade, enterrando de vez novas possibilidades e deixando como principal ativo apenas o legado construído no passado.

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Nova fase – O MDB do Recife elegeu, no último sábado (25), a nova direção da legenda. Em chapa única e aprovada por unanimidade, o vereador Samuel Salazar foi eleito presidente municipal do partido, tendo Tadeu Calheiros como 1º vice-presidente e líder da bancada na Casa de José Mariano. O movimento integra a estratégia de reestruturação de quadros da sigla no município. 

Expectativa – A semana começa com expectativa para a divulgação de uma nova pesquisa sobre o Governo de Pernambuco. Nesta terça (28), o Instituto Quaest apresenta os números de intenção de voto para governador, senador e presidente da República, além da avaliação das gestões da governadora Raquel Lyra (PSD) e do presidente Lula.

Presença – A governadora Raquel Lyra (PSD) marca presença hoje (27) na abertura do 9º Congresso da Amupe, no Recife, ao lado de prefeitos de todo o estado. A participação ocorre em um momento importante de alinhamento com o presidente da entidade, Pedro Freitas (PP), que teve papel decisivo no destravamento e na aprovação integral da LOA na Alepe.

Fortalecimento – Em ritmo de pré-campanha e buscando ampliar a força da direita em Pernambuco, os pré-candidatos a estadual e federal, Gilson Filho (PL) e Gilson Machado Neto (Podemos), vêm percorrendo juntos o estado. Neste fim de semana, estiveram em Caruaru e em Encruzilhada de São João, em agendas voltadas ao fortalecimento de seus nomes para as eleições, quando devem formar dobradinha.

Diretrizes – O PT aprovou ontem (26), durante o Congresso Nacional do partido, um manifesto com foco nas eleições de outubro, tendo como eixo central a reeleição do presidente Lula. O documento também propõe sete reformas para o país, entre elas a do Poder Judiciário e uma reforma político-eleitoral.

*Repórter do Blog Cenário