Educação

MEC anuncia recuperação de laboratórios destruídos por incêndio na UFPE

Redação
Foto: Lucas Emanuel

O ministro da Educação Leonardo Barchini anunciou que o Governo destinará recursos para construção de um prédio maior do que a atual edificação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que foi atingida pelo incêndio ocorrido na (7). No local funcionavam vários laboratórios nas áreas de fármacos, de genética e de informática.

Além dessa, mais quatro medidas foram anunciadas nesta quinta (8) durante a vistoria técnica que a equipe do Ministério da Educação (MEC) realizou nas instalações atingidas pelas chamas: a liberação de verbas para aquisição de equipamentos; a extensão do período de concessão das bolsas de mestrado e doutorado; a inclusão dos pesquisadores no Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), para que possam concluir seus estudos em instituições de outros países ou do próprio Brasil; e a conclusão de duas construções em andamento no Campus Recife, um prédio que faz parte do Centro de Informática (Cin) e a nova sede do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica – Suely Galdino (Nupit-SG).

As novas instalações do Nupit-SG também foram visitadas pelo ministro Leonardo Barchini, que conversou com alguns dos pesquisadores que já trabalham no local. Entre essas pessoas havia professores e estudantes, muitos deles não conseguiram conter as lágrimas. Esta construção tem cerca de 2,3 mil m² e as obras começaram em 2025, com um orçamento de aproximadamente R$ 12 milhões. A comitiva do MEC, da qual faziam parte pessoas como o secretário-executivo Rodolfo Cabral, ainda esteve na feira de profissões Expo UFPE, que era realizada naquele momento em outra parte do Campus Recife.

“Assim que soubemos ontem do incêndio, entrei em contato com o reitor para saber a extensão do dano. Realmente houve uma perda muito grande neste prédio, onde funcionavam muitos laboratórios, pesquisas muito importantes para o Brasil. Me comuniquei com o presidente Lula, que determinou minha vinda, primeiro para prestar solidariedade à comunidade acadêmica. Acionamos imediatamente a Polícia Federal, pois havia rumores sobre mensagens com ameaças à UFPE e é necessário saber as causas deste incidente. E tem as medidas que vamos tomar para recuperar ao máximo este dano. A primeira delas é a construção do novo prédio para onde vão os laboratórios. Os equipamentos serão recomprados, o levantamento inicial nos mostra que é algo na ordem de R$ 100 milhões. A gente já conversou com outros ministérios, todos eles estão solidários”, afirmou o ministro Leonardo Barchini durante a entrevista coletiva.

“Para os estudantes, falei com a Capes, que oferta as bolsas de estudo para mestrado, doutorado e pós-doutorado, e eles continuarão com suas bolsas até o prazo que for necessário. Para os doutorandos que estão na fase final de sua tese, abrimos um chamamento especial do PDSE. Todos poderão fazer parte dos seus estudos no exterior, em laboratórios da Alemanha, dos Estados Unidos, na França, em países que já se comprometeram a apoiar a UFPE. Os estudantes de mestrado também poderão acionar este programa ou fazer parte de suas pesquisas em outras universidades brasileiras, que também se solidarizaram. E também os professores que queiram, via bolsa de pós-doc, ir para outras universidades para não parar suas pesquisas também terão esta oportunidade. Estamos trabalhando para que minimamente a gente possa superar este momento de muita dor”, continuou o ministro Leonardo Barchini.

A comitiva do MEC foi recebida pelo reitor da UFPE Alfredo Gomes, pelo vice-reitor Moacyr Araújo e por pesquisadores e outros servidores da instituição. “Agradeço ao governo do presidente Lula, ao ministro e toda a sua equipe, uma vez que fizemos contato ontem e eles se colocaram prontamente à disposição. São medidas importantes não apenas para que se consolide o novo prédio e os equipamentos, mas também de apoio aos estudantes. Temos aproximadamente 200 dissertações em andamento. Fica aqui nosso profundo agradecimento pela ação rápida pela nossa universidade. Achamos um absurdo uma instituição pública com a tradição da UFPE ser objeto de ataques nas redes sociais. Acionamos a Polícia Federal e pedimos a abertura do processo em relação às causas do incêndio e também à circulação de ameaças à nossa comunidade estudantil. Orientamos tanto a nossa segurança institucional quanto à contratada para que ficassem alerta. Aqui é um espaço democrático e de participação, a gente vai garantir a autonomia da universidade”, afirmou o reitor Alfredo Gomes.

O delegado regional-executivo da Polícia Federal, Rodrigo Bastos, explicou como funciona o trabalho de investigação: “Desde ontem à noite à Polícia Federal esteve em contato com a Reitoria. Foram iniciados os trabalhos de perícia, utilizando equipamentos como robô e drone para fazer as primeiras imagens sem a entrada de peritos. Estamos aguardando a definição em relação à segurança do prédio para que a equipe possa de fato adentrar. Nesse momento haverá um reforço de peritos que virão do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, que vão trabalhar em conjunto com os peritos daqui. Enquanto isso, seguem as investigações em relação à colheita de informações porque neste momento são duas frentes: tentar identificar o que deu início ao incêndio e tentar reconstituir a dinâmica dos fatos no local nos momentos que antecederam este evento”.

O Corpo de Bombeiros foi imediatamente acionado para combater o incêndio no prédio multiuso localizado na parte do Campus Recife que fica ao lado da BR-101. Não houve vítimas. Porém, em função das características dos produtos armazenados no local, o fogo se alastrou rapidamente e provocou grandes danos. O reitor da UFPE Alfredo Gomes acompanhou o trabalho do Corpo de Bombeiros na noite de quarta-feira (7).

A edificação atingida possui 2.967,32 m² de área construída. Projetada em 1957 para abrigar o Restaurante Universitário e construída em 1958, teve sua finalidade alterada nos anos 2000, passando a sediar a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE) e o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica – Suely Galdino (NUPIT-SG) até os dias atuais, inclusive com laboratórios de certificação NB3. Para acelerar o processo de construção do novo prédio, será utilizado o projeto executivo que foi elaborado para o Centro Acadêmico do Agreste (CAS), em Sertânia, que tem em torno de 7 mil m².