Saúde

Zilda Cavalcanti detalha investimentos da saúde em audiência na Alepe

Redação
Foto: Gabriel Costa

Na última terça (10), a secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, apresentou à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) o relatório de gestão referente aos quatro primeiros meses de 2026.

A prestação de contas ao Legislativo estadual cumpre a exigência da Lei Complementar Federal nº 141/2012, que determina que o Poder Executivo apresente, a cada quadrimestre, os investimentos e ações realizados no Sistema Único de Saúde (SUS).

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Durante a apresentação, a secretária destacou os investimentos realizados na rede estadual, com ênfase nas reformas de grandes hospitais, na ampliação da estrutura para atendimentos de alta complexidade e na abertura de novas maternidades e UTIs neonatais.

Segundo os dados apresentados, o Governo de Pernambuco aplicou R$ 2,17 bilhões em recursos próprios do Tesouro Estadual no primeiro quadrimestre de 2026, o equivalente a 15,5% da receita líquida total do Estado. O percentual supera o mínimo constitucional de 12% destinado à saúde. Além disso, a rede estadual recebeu cerca de R$ 1,36 bilhão provenientes de recursos federais do SUS e de outras fontes.

Zilda Cavalcanti também destacou a evolução do gasto per capita em saúde ao longo dos últimos anos. De acordo com a secretária, o valor passou de R$ 238,03 por habitante no primeiro quadrimestre de 2021 para R$ 368,65 no mesmo período de 2026.

Segundo ela, os investimentos possibilitaram a continuidade das reformas em unidades hospitalares e contribuíram para a redução do tempo de espera por exames como tomografia e ressonância magnética. Algumas Gerências Regionais de Saúde chegaram, inclusive, a zerar filas em determinados períodos.

Após a apresentação dos números, parlamentares fizeram questionamentos sobre os investimentos e a gestão da saúde estadual.

“Logo após a pandemia, o investimento em saúde chegou a quase 19% da receita líquida. O valor disso dá mais de R$ 1,5 bilhão que deixou de ser investido na saúde para melhorar o atendimento de todos os pernambucanos”, apontou o deputado Rodrigo Farias (PSB) em seu questionamento.

A observação foi reforçada pelo presidente da Comissão de Saúde, deputado Sileno Guedes (PSB), que levantou o mesmo tema durante o debate.

Em resposta, Zilda Cavalcanti afirmou que os anos da pandemia representam uma situação atípica e dificultam comparações com o cenário atual.

O ponto mais fora da curva é 2022, que foi o que o deputado usou como referência agora a pouco para comparar com o ano atual, em que o percentual para saúde foi de 18,8%. Absolutamente fora da curva do que é o investimento histórico do Estado percentualmente em cima da receita, que fica em torno de 15% desde 2015”, justificou.

Deputados da bancada de oposição também questionaram a gestão dos leitos hospitalares e voltaram a abordar o fechamento de unidades e serviços ocorrido no início da atual gestão estadual.

A secretária defendeu a estratégia adotada desde 2023, afirmando que o número de vagas operacionais aumentou no período e que a distribuição dos leitos está mais descentralizada pelo Estado.

Zilda Cavalcanti reconheceu, porém, dificuldades em situações específicas. Como exemplo, citou o Hospital Regional Inácio de Sá, em Salgueiro, no Sertão Central, que deixou de realizar partos de alta complexidade devido à falta de profissionais, principalmente obstetras e pediatras. Segundo a secretária, o problema persistiu mesmo após tentativas de contratação por meio de seleção simplificada.

Ela também informou que houve atrasos no processo licitatório para definição da organização social responsável pela gestão do Hospital Central Nossa Senhora Aparecida, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. De acordo com a secretária, o impasse impediu o início das atividades da unidade, mesmo após mais de um ano da aquisição do equipamento pelo Governo do Estado.

Por outro lado, a titular da pasta destacou que seguem em andamento as obras de cinco novas maternidades, do Hospital Mestre Dominguinhos, em Garanhuns, no Agreste Meridional, e do novo prédio do Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, no Agreste Central.