Artigo: A Cortina de Fumaça das Eleições Municipais em Caruaru


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24 de novembro de 2019 às 20h07min - Por Américo Rodrigo

Foto: Divulgação

“A cada quatro anos, é a mesma coisa: conhecidos adversários “de outros carnavais” começam o processo custoso (nosso dinheiro, aliás) e estressante (nossa paz, inclusive) de conquistar votos numa corrida desenfreada, e algumas vezes desonesta, rumo a quatro anos de controle da máquina pública de Caruaru (e de todo o poder e todos os recursos que este controle pode proporcionar).

Não é necessário falar, aqui, que essas disputas eleitorais resumem-se, há muitos anos, a três dinastias bem conhecidas de todo caruaruense. Três sobrenomes tão amados/odiados quanto poderosos. Caruaru é uma capitania hereditária que as aulas de história contemporânea ignoram, talvez porque seja interesse deles que a população em geral não perceba isso!

Outros personagens ousam, vez em quando, posicionar-se no meio deste tradicional fogo cruzado para oferecer opções aos caruaruenses que já despertaram da “matrix”, aqueles que querem mais para a cidade. Podem até ser, também, no futuro, decepcionantes como soluções, mas, ao menos, são uma via diferente do que sempre se propõe em Caruaru desde tempos imemoriais.

Mas as brigas pela prefeitura podem vir a ser motivo de um texto futuro… o objetivo aqui é outro: Se o nome de quem irá governar a nossa cidade já caiu na descrença de parte da população, imagina, então, os nomes para a nossa casa legislativa…
Você, caro leitor, estimada leitora, sabe o nome de, digamos, 5 vereadores da atual legislatura? Você lembra a quem dedicou seu valioso voto lá em 2016? Ele foi eleito? Você o está acompanhando de perto, vigiando o mandato que ajudou a conquistar? Sabe que outros projetos, além de nomes de ruas e de praças, eles têm feito?

As eleições majoritárias (aqui, no caso, para prefeito) tendem a ser tão acirradas e viscerais que simplesmente roubam a atenção da disputa para a Câmara. Os vereadores tendem a assumir papel de figurantes no processo eleitoral e democrático, o que é um tremendo erro e um gravíssimo perigo.
Eleger vereadores despreparados, apenas pela proximidade geográfica (o caso de ele/ela ser seu/sua vizinho/a), ou pelo convívio (na escola, na igreja, na feira), ou como se seus papeis não fossem relevantes é conceder, por 4 anos, à cidade de Caruaru, alguém que não terá capacidade de encontrar erros na gestão do prefeito ou que corre o risco de se tornar seu “peão” na troca por cargos ou outros benefícios.


“Ohhh, mas será que um cenário tão imoral há de acontecer em nossa amada Caruaru?”
(o parágrafo acima foi sarcasmo, ok?)

Pouquíssimos vereadores, não só em Caruaru, mas em muitas cidades em Pernambuco, são preparados e independentes o suficiente para levantar-se diante de projetos apresentados pelos prefeitos caso tais projetos sejam ruins para o povo.

Em suma, uma Câmara formada de “legisladores” que “devem favores” ao executivo é, tão-somente, um “puxadinho” do gabinete do prefeito, nada mais que um punhado de despachantes que assinam, muitas vezes sem ler, até por não ter a mera capacidade para isso, em favor de tudo o que o executivo manda fazer.

Cargos pra lá, projetos aprovados para cá, uma tímida (e às vezes apática) oposição pouco pode fazer, mesmo que esteja do lado certo: o lado da população que seu mandato representa. A oposição até tenta, mas o executivo fala mais forte na maioria da casa.
Em 2020, os ânimos para a eleição majoritária serão acentuados. A “temperatura” fará jus ao verão da região agreste! Farpas pontiagudas como os espinhos do mandacaru serão trocadas com a velocidade dos disparos do bacamarte… Disparos que encherão o ar de uma pesada fumaça que ocultará a disputa pela câmara… ameaçando mais uma vez a qualidade, e com isso a própria efetividade, da próxima legislatura.


No fim, pouco importa quem será o próximo governante de Caruaru se a ele (ou ela) for dada como presente uma Câmara de Vereadores despreparada e influenciável. Qualquer prefeito se converterá num monarca absolutista que sempre encontrará apoio nos vereadores que deveriam fiscalizá-lo.
Em vez de atuar como FREIO, como é o seu papel, uma Câmara “conquistada” pelo executivo o fará “correr solto” – tendo nosso dinheiro, dinheiro de todo pagador de impostos, como combustível.

Não entregue de bandeja a sua cidade, e a sua vida, à sorte. Não importando se você sabe em quem votar para prefeito e se acredita que ele (ou ela) é a melhor opção para Caruaru: eleja, mas desconfie. Escolha o governante, mas também escolha quem poderá limitar seu poder e impedir que ele faça besteiras livremente com o seu dinheiro!

ESCOLHA BEM o seu vereador. Importe-se com quem você colocará para representá-lo! E mesmo depois de eleito, não confie cegamente! Vigie! Cobre! Critique e Exija! É seu direito! Você é o chefe deles! VOCÊ paga o salário deles.

Lembre-se: “O preço da Liberdade é a eterna vigilância!”
Se você der liberdade demais para os governantes, é você quem está arriscando perder a sua!”

Professor João Antonio


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