Artigo: 101 anos de Sebastião, um dos Beatles de Caruaru


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23 de junho de 2020 às 07h00min - Por Américo Rodrigo

Foto: Divulgação

“Não tinha data melhor para se comemorar o melhor! 23 de Junho, véspera de São João, o Dia é Dele! 101 anos de Sebastião Biano! Mestre, Lenda Viva, único integrante vivo da Banda de Pífanos de Caruaru, criada por seu pai, Manoel Clarindo Biano e seu irmão Benedito. Natural de Alagoas, ali em Mata Grande, sertão do estado. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Sebastião Biano em 2016, quando veio à Caruaru receber o Título de Cidadão caruaruense e realizar um show, ou uma “tocada” como ele mesmo prefere se referir. Aqui somado a Banda de Pífanos Zé do Estado apresentaram um daqueles momentos únicos que a gente guarda pra sempre na memória.

Sempre tive uma curiosidade danada de conhecer pessoalmente Sebastião Biano, e muitas coisas, além da sua história de vida, me fascinaram, uma lucidez impressionante, uma disposição física para fazer inveja a muito jovem por aí, com seu óculos, seu chapéu, uma bengala e um sorriso cativante. Um dos episódios que percebi onde ele mais sentia prazer em contar, entre tantos outros, foi o inédito encontro com Lampião: “Você toca o meu toque?”, perguntou Virgulino Ferreira à um talento que descobriu a paixão pela música muito cedo, aos 5 anos de idade. De origem muito humilde, viveu sua infância fugindo da seca, trabalhando pesado no roçado ajudando o seu pai.

Mas outra característica que não posso deixar de explanar é o seu amor por Caruaru. A sua simplicidade em depositar que foi aqui, na Feira de Caruaru, que todo o seu talento ganhou robustez, tamanho e identidade. Sua capacidade musical influenciou movimentos importantes como a Tropicália e o Manguebeat. Da tocada com Lampião até o Grammy Latino em 2005, de Melhor Álbum de Raízes Brasileiras, muito chão foi alcançado por Sebastião Biano. Desde a década de 1970 que a família mora em São Paulo, mas nunca esquecem da terrinha. Levando nosso município ao centro do mapa da música popular brasileira.

Há alguns anos tive a oportunidade de visitar o Museu do Inhotim, em Minas Gerais, considerado o maior museu à céu aberto do mundo. E dentro de uma das salas me deparei com um som belíssimo e dei conta que era oriundo dele, de um dos Beatles de Caruaru, assim como intitulou Gilberto Gil: “Pipoca Moderna” um dos maiores sucessos de Biano, que se transformou em trilha de novela, gravada por Caetano Veloso. Pense num orgulho danado de ver o que é da gente sendo valorizado, sendo lembrado e jamais esquecido. Seu Sebastião Biano merece todas as nossas homenagens, não só pelo que representa, mas, mais ainda, por ser possível fazer isso com ele em vida! Viva Sebastião Biano! Viva todos os Beatles de Caruaru!”

Raffiê Dellon é Administrador.


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