Opinião | A história ensina

Opinião
Por Redação
26 de janeiro de 2026 às 09h40min
Foto: Roberta Guimarães

Por Waldemar Borges*

A história já mostrou, e sempre da pior forma, que quando o Estado transforma a polícia em instrumento político, a democracia começa a ruir.

Isso nunca começa de uma vez. Começa com “missões” sem papel timbrado. Com pessoas virando “alvo”, não por decisão da Justiça, mas por ordem de quem se acha acima da lei.

Foi assim na Itália de Mussolini. A polícia vigiava professores, artistas, servidores. Bastava discordar.

Foi assim na Alemanha nazista. A Gestapo não investigava crimes. Investigava consciências.

Foi assim no Brasil da ditadura. O SNI espionava, o DOI-CODI torturava, tudo em nome do poder.

Em um momento em que todos comemoram o sucesso de filmes como O Agente Secreto constatamos, lamentavelmente, que absurdos e arbitrariedades daquelas épocas ainda não foram superados.

É irônico e triste perceber que nosso próprio estado, cenário de O Agente Secreto, ainda abriga situações parecidas às denunciadas nas telas, provando que o autoritarismo que pensávamos ter ficado no passado insiste em se fazer presente.

E por que lembrar disso agora?

Porque Pernambuco acordou chocado com uma denúncia exibida em rede nacional: a existência de uma Polícia Paralela, operando à margem da lei.

Uma estrutura usada para perseguir adversários políticos, monitorar servidores, manter investigações arquivadas e espionar pessoas sem ordem judicial.

Não tinha boletim de ocorrência.
Não tinha inquérito.
Não tinha mandado.

O que tinha era rastreamento ilegal, pressão interna e cidadãos tratados como “alvo”.

Isso não é erro administrativo. Isso é um ataque direto à democracia.

A polícia existe para proteger o povo, não para vigiar ilegalmente adversários.

A Assembleia não pode se calar. É preciso investigar, com transparência e independência. E, se confirmado, responsabilizar os envolvidos.

Defender a democracia não é pauta de esquerda ou direita. É dever de quem acredita no Estado de Direito. Fica aqui a pergunta: quem deu a ordem para a Polícia Paralela agir assim? Isso é o que Pernambuco quer saber.

*Deputado estadual

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