Cenário Político

Coluna da segunda: o desafio de Lula com um Congresso mais bolsonarista

Victória Oliveira
Foto: Carolina Curi

Por Victória Oliveira*

Em uma virada inédita, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito ontem (25), com 51,79% dos votos válidos. O petista assumirá um quarto mandato, algo inédito na história do país. Desde as eleições de 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em desvantagem havia conseguido reverter o resultado na disputa presidencial. Além disso, aos 81 anos, idade que completará amanhã (27), Lula se manterá como o presidente mais velho do Brasil.

Apesar da conquista, Lula chegará a 2027 diante de uma correlação de forças bastante diferente daquela que encontrou no início de seu mandato, em 2023. O PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada tanto no Senado Federal, com 29 das 81 cadeiras, quanto na Câmara dos Deputados, com 121 dos 513 parlamentares. Além do partido, outras legendas alinhadas à direita também ampliaram sua representação.

Com uma oposição numericamente fortalecida e disposta a ampliar o controle sobre o Congresso, o governo terá que suar a camisa para negociar, manter e ampliar alianças com partidos do Centrão e evitar o engessamento da gestão, principalmente na articulação de projetos no Senado.

O maior desafio estará justamente na Casa Alta, que, além de analisar projetos, tem competência para processar e julgar ministros do STF nos casos previstos na Constituição. Durante a campanha, a crise envolvendo o Banco Master e a relação do ministro Alexandre de Moraes com o caso alteraram os rumos dos debates e dominaram boa parte das discussões eleitorais. O tema teve repercussão no cenário político e contribuiu para acirrar ainda mais a polarização da disputa.

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Posicionamento – Derrotado por Lula (PT) nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende solicitar a anulação das eleições. “O que aconteceu hoje não foi algo normal”, disse, referindo-se à ampliação do horário de votação autorizada pelo ministro Cristiano Zanin. No entanto, o pedido foi feito pelas duas campanhas.

Vantagem – O segundo turno foi marcado pela redução do número de pessoas que não compareceram às urnas, além da queda nos percentuais de votos brancos e nulos. Em relação ao primeiro turno, a abstenção caiu de 21,08% para 19,19%, enquanto os votos brancos passaram de 1,84% para 1,12% e os nulos, de 2,93% para 2,12%.

Reconhecimento – Durante o discurso da vitória, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agradeceu o empenho da juventude que se engajou no movimento “vira voto” nas redes sociais, bem como o dos idosos que foram votar, independentemente das condições físicas. “Nós conseguimos convencê-las de que o voto era importante para assegurar a democracia do país”, afirmou.

Promessa – O deputado federal reeleito por Minas Gerais, André Janones (Rede), considerado general do “Exército do Lula” e principal responsável pela virada do petista, garantiu que vai “nevar” após a reeleição do presidente da República. A promessa foi feita durante uma live realizada no sábado (24), que contou com a participação do presidente do PSB, João Campos.

Gesto – A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que optou pela neutralidade na disputa presidencial, parabenizou o presidente Lula (PT) pela reeleição. Em publicação nas redes sociais, a gestora defendeu a continuidade do diálogo institucional e da parceria com o governo federal. “Pode contar com Pernambuco, presidente Lula”, afirmou.

*Repórter do Blog Cenário