
Por Vanuccio Pimentel*
Nas eleições estaduais, seja para governador ou para os cargos legislativos, o prefeito é uma peça central no jogo. Isso decorre de algumas razões. A primeira é que a Constituição de 1988, ao dotar os municípios de autonomia administrativa e financeira, criou poderosas fontes de poder político local.
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A segunda é que o prefeito se torna o líder político natural do município, concentrando poderes capazes de influenciar o eleitorado e transferir votos para os seus candidatos. E como a disputa na maioria dos municípios tende a ser polarizada em duas forças políticas, isso também coloca o líder da força opositora na condição de importante fonte eleitoral.
Um caminho interessante para tentar responder a nossa pergunta inicial é analisar as últimas eleições em Pernambuco e compreender como a dinâmica anterior foi influenciada pelo número de prefeitos.
Considerando o resultado das eleições municipais de 2008, 2012, 2016 e 2020 – período no qual o PSB estava no comando do estado com Eduardo Campos e Paulo Câmara – verifica-se uma média de 31% das prefeituras sob o comando do partido do governador.

Importante ressalvar que não estamos considerando os partidos aliados, o que elevaria ainda mais o número de prefeituras sob influência do governador/candidato.
Atualmente, o PSB possui 16,76% das prefeituras sob o seu comando em Pernambuco, número bem abaixo da média apresentada na tabela.
Por outro lado, após as eleições municipais de 2024, a governadora Raquel Lyra (PSD) deu início a uma série de movimentações políticas importantes. A primeira foi a mudança de partido, deixando o PSDB e seguindo para o PSD, um partido com mais envergadura e estrutura eleitoral para o seu projeto.
Em seguida, houve um processo de atração de prefeitos para a nova sigla. Atualmente, o PSD conta com 74 prefeitos, o que representa 40% do total de municípios de Pernambuco. Um número expressivo que, somado aos partidos aliados, deve dar uma dimensão significativa à sua campanha de reeleição.
No entanto, isso vai exigir da governadora mais tempo e habilidade para manter e coordenar esse elenco de prefeitos. Pois o prefeito que ingressa no partido deseja ser coordenado e liderado por ela.
Diante deste cenário, outras reflexões precisam ser feitas. A primeira é que o número de prefeitos por si só não é um fator determinante. A segunda é que a própria dinâmica política de Pernambuco confirma essa reflexão.
Uma rápida revisão das eleições recentes em Pernambuco revela que em alguns momentos a quantidade de prefeitos não foi suficiente para garantir uma vitória.
A reeleição do governador Miguel Arraes em 1998 é um exemplo clássico. Mesmo com ampla capilaridade no estado, o PSB não conseguiu reeleger Arraes e perdeu o comando do estado para Jarbas Vasconcelos (PMDB).
Logo em seguida, depois de dois governos bem sucedidos e com ampla aprovação, Jarbas Vasconcelos não conseguiu reeleger Mendonça Filho (PFL) para o governo. A coligação de Jarbas (PMDB/PFL/PSDB) tinha ampla capilaridade nos municípios e não foi suficiente para deter o avanço de Eduardo Campos em 2006.
E o último exemplo vem das eleições de 2022, que sagrou a própria Raquel Lyra vitoriosa. O PSB e os partidos aliados tinham ampla influência nos municípios e isso também não foi determinante para garantir a continuidade do PSB com Danilo Cabral.
No momento, a certeza que temos é que as eleições deste ano serão fundamentais para que possamos compreender se toda a estrutura política construída pela governadora será determinante para a sua reeleição.
*Doutor em Ciência Política (UFPE) e professor adjunto II – Asces-Unita












