
Em conversa com a colunista Betânia Santana, sobre a polêmica que se tornou a visita da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), ao Assentamento Normandia, onde assinou a carta-compromisso com a agricultura familiar e reforma agrária, o líder do MST, Jaime Amorim, pai da deputada Rosa Amorim (PT), reforçou, nesta segunda (7), a aliança política construída em torno da candidatura de João Campos (PSB). Ele, entretanto, contou que alguns militantes optaram por não declarar o apoio formal.
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“O MST, politicamente, está com João, até pela necessidade política de estar. Agora, muitos militantes do MST, como também do PT, principalmente do Agreste e do Sertão, assumiram a ideia de não ter um candidato e deixar meio livre. Mas, politicamente, o nosso candidato é o João. O candidato de Rosa é o João. Nós nunca vamos ser confundidos com o processo eleitoral. Rosa é candidata, vai ser eleita e vai estar no Congresso para defender Lula e para fazer o debate político e ideológico que esse Brasil precisa. Do ponto de vista eleitoral, a gente está assumindo a campanha do João. Ponto!”, esclareceu o dirigente.
Jaime explicou que, antes da passagem da governadora, que contou com o jingle dela sendo tocado no assentamento, João também participou do mesmo ato, no mesmo local e com a mesma quantidade de militantes presentes. “O jingle de João, desde que ele entrou, nós tocamos. O jingle de Raquel foi só na saída, para prestigiá-la”, disse.
Apesar da aliança com o ex-prefeito do Recife, Jaime exaltou a parceria que os movimentos em defesa dos trabalhadores do campo tiveram com a gestão de Raquel Lyra ao longo dos últimos anos. Inclusive, ao longo de praticamente todo o mandato, Rosa integrou a base da governadora na Alepe.
“Nesses quase quatro anos de governo dela [Raquel], nós discutimos muito. De fato, no campo, ela foi uma boa governadora, todo mundo sabe. Normalmente, o pessoal diz que Raquel foi uma boa governadora do ponto de vista da infraestrutura, do ponto de vista da educação, do ponto de vista de negociações operativas. Tanto é que a Fetape, que é a maior organização camponesa de Pernambuco, definiu por apoiar Raquel. Nós não definimos, mas não significa que ela foi uma má governadora. Ela foi uma governadora que sempre recebeu todos os movimentos do campo, atendeu parte da pauta daquilo que era possível atender, então nós podemos dizer: Raquel não foi uma péssima governadora para o campo. Não quer dizer também que ela foi a melhor”, afirmou Jaime.
No entanto, ao ser indagado se houve um governador melhor que Raquel para quem vive da agricultura, ele não apontou nenhum nome. Mas reconheceu que muito do que foi feito pela atual gestão foi fruto da parceria com o presidente Lula.
“Creio que não [houve melhor]. Do ponto de vista operativo, creio que não. Ela opera mais rápido, mais fácil as coisas. Mas também, é claro que são outros tempos. Ela só faz aquilo que Lula passa. Ela, como aliada de Lula, tudo que vem para a agricultura, praticamente, é do governo federal”, avaliou.
