
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), alcançou uma reeleição nada confortável, mas grandiosa. A disputa começou ainda em 2024, logo após a avassaladora reeleição de João Campos (PSB) no Recife, com mais de 78% dos votos válidos no primeiro turno.
De lá para cá, ela enfrentou diversos obstáculos causados por manobras da oposição na Alepe, tendo sua governabilidade ameaçada. Mesmo com diversos prefeitos e a máquina na mão, era vista por muitos como já derrotada, pois seria traída pelos aliados. Para alguns, precisaria de um “milagre” para vencer João no que viria a ser a eleição mais difícil da sua vida.
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Lutaria não apenas contra o considerado futuro sucessor do presidente Lula (PT), mas contra o herdeiro do legado de dois grandes líderes políticos do estado: Miguel Arraes e Eduardo Campos. Este último, ouso dizer, sendo o ex-governador mais querido de Pernambuco e que deixou uma grande lacuna após uma trágica morte. Seria também uma batalha contra o emocional do eleitorado. E, no meio disso tudo, ainda teria o debate sobre a disputa nacional. Discussão em que ela nunca quis se posicionar.
Quando ainda era prefeita, falava sobre os perigos da polarização para a qual o país estava se encaminhando. Em agosto de 2019, primeiro ano de Jair Bolsonaro enquanto presidente, a então gestora de Caruaru disse, em entrevista a uma rádio local, que se manteria no papel institucional de conquistar recursos como os que vinha recebendo da União, frente às negativas do governo Paulo Câmara. Afirmou que não debateria “cores partidárias”, frase que hoje repete também em relação ao presidente Lula, quando fala sobre as parcerias com o Governo Federal.
Enquanto candidata a governadora, na eleição de 2022, Raquel Lyra encarou, ainda, a pulverização de candidaturas opositoras ao PSB e, no segundo turno, duelou diretamente contra a candidata apoiada por Lula, maior cabo eleitoral de Pernambuco. Venceu e conquistou o respeito do líder petista.
Frente a todos os desafios que uma mulher atravessa na política, a governadora em Pernambuco foi neste pleito a única eleita entre todos os estados em que a disputa foi encerrada no primeiro turno. Recebeu votos de lulistas e bolsonaristas e impôs a João sua primeira derrota da vida. Isso, sem precisar se ancorar em apadrinhamento político.
Flutuando entre uma gestão com discursos e ações progressistas, mas também medidas liberais, a governadora Raquel não se rotula e vem trabalhando para permanecer longe dos discursos radicais. Quando ela foi declarada matematicamente vitoriosa, integrantes do primeiro escalão que acompanhavam a apuração num hotel do Recife gritaram a plenos pulmões que “vem aí a de presidente”.
Em maio deste ano, durante um jantar do PSD em Brasília, o Blog Cenário testemunhou o cacique do partido, Gilberto Kassab, afirmar que, ao ser reeleita, Raquel se tornaria a mulher mais poderosa da política no país. “Essa recondução é fundamental para vocês, para Pernambuco e para o Brasil”, concluiu ele.
A disputa presidencial de 2030 passa diretamente pelo surgimento de novas lideranças nacionais nesta eleição de 2026. A governadora já busca galgar este caminho para ser uma opção viável de centro, longe da polarização entre a esquerda e a extrema direita, podendo atrair eventuais insatisfeitos com Lula e desiludidos com o bolsonarismo. O objetivo será, neste novo contexto político, chegar maior no cenário nacional do que Eduardo Campos conseguiu na vez dele. Raquel quer ela mesma ser o próprio milagre.
