Cidades

Recife ganha megamural de 25 metros em homenagem a Chico Science

Redação
Foto: Marlon Diego

O Recife ganhou um novo memorial de arte urbana em homenagem a Chico Science. Inaugurado nessa sexta (23), o megamural “Chila, Relê, Domilindró” ocupa cerca de oito andares e pode ser visto na esquina da Rua da Guia com a Avenida Barbosa Lima, no Bairro do Recife, ao lado do Motto by Hilton. O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), participou da inauguração. 

Com 25 metros de altura, a obra foi criada pelo artista visual recifense Arem. O megamural integra o Edital de Megamurais – Recife Cidade da Música, promovido pela Prefeitura do Recife, por meio do Gabinete de Inovação Urbana (GIURB), com apoio de Tintas Iquine, Palácio Locação de Máquinas e Grupo Pernambuco.

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Durante a cerimônia, o prefeito destacou o simbolismo do local e a importância da obra. “Essa é uma grande homenagem ao nosso Chico Science, que completaria 60 anos e 30 anos também do álbum Afrociberdelia. É uma bela e justa homenagem, em um local muito simbólico, no coração do Recife. Esse é o 13º megamural que a prefeitura faz e eu fico muito feliz de estar aqui com essa homenagem do Recife para Chico, que foi um grande artista e que levou o nome da cidade para o mundo inteiro”, afirmou Victor.

Para o chefe do Gabinete de Inovação Urbana, Ed Ruas, o megamural reforça a conexão direta entre a arte, o Manguebeat e a cidade do Recife.

“É um trabalho belíssimo de Arem, e dos outros artistas que compuseram com ele, e eu acho que marca um momento na história desse ícone, porque existe uma geração aí que ainda não conhece Chico. Então, a partir do momento que você o coloca em exposição a céu aberto na cidade, você fomenta uma curiosidade por parte das novas gerações de saber e entender o que ele cantou, as bandeiras que ele defendeu e como ele retratou tão bem a nossa cidade e a nossa cultura nas músicas dele”, disse.

Inspirado em uma fotografia de Fred Jordão, o painel reúne referências ao universo artístico de Chico Science. Com cores vibrantes e formas geométricas, Arem apresenta uma leitura contemporânea do legado do músico e do Manguebeat. 

Sobre o conceito, Arem explicou o significado do título e das três temáticas.

“No título do mural, eu trago ‘Chila, Relê, Domilindró’, que são três palavras que Chico citava no Cidadão do Mundo, uma música com a Nação Zumbi. Brincando com as três palavras, eu separei a arte em três temas: fauna, flora e tecnologia. Eu me sinto como uma ponte, no sentido de que eu estou realizando essa homenagem enquanto artista e fã e também representando milhares de pernambucanos. Chico trazia muito nas letras a questão da consciência de classe, então, para mim é como se eu tivesse pintado um lembrete, de 25 metros, sobre a consciência de classe no meio do Recife Antigo”, afirmou o artista. 

A homenagem também marca os 35 anos dos primeiros passos do Manguebeat, movimento que aproximou as alfaias do maracatu do rock, do hip hop e da música eletrônica. Com o lançamento de Afrociberdelia, em 1996, Chico Science & Nação Zumbi levou o som do Recife a palcos da Europa e dos Estados Unidos. Décadas depois, esse legado segue vivo na música, na arte urbana e na identidade cultural da cidade.