Política

Secretaria de Educação de Pernambuco desmonta falsa denúncia de Clarissa Tércio

Rebeka Vilaça
Foto: Thiago Cristino

A deputada federal bolsonarista Clarissa Tércio (PP) voltou a ser alvo de críticas nas redes sociais, após a circulação de um vídeo em que acusa uma escola estadual do bairro da Madalena, no Recife, de suposta doutrinação política.

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Publicada na semana passada, o vídeo traz Clarissa reagindo a uma gravação que afirma ter recebido de um estudante da unidade de ensino. As imagens mostram um trecho de uma aula em que aparece um guia relacionado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A deputada questiona a abordagem do conteúdo e afirma que a escola está fazendo campanha política.

Após a publicação, alguns estudantes se manifestaram nos comentários para contestar a versão apresentada pela deputada. Segundo os relatos, a atividade fazia parte de uma aula sobre análise do discurso, na qual foram apresentados materiais relacionados aos dois candidatos à Presidência da República. Os estudantes afirmaram que o episódio foi retirado de contexto.

Mesmo após os esclarecimentos dos próprios estudantes, a parlamentar manteve o vídeo no ar. Ela estimulou que os alunos façam gravações dos professores em sala de aula, com o intuito de coibir suposta doutrinação. O vídeo de Clarissa recebeu reações de setores ligados à educação e de parlamentares como a vereadora e deputada federal eleita Liana Cirne (PT), que anunciou medidas judiciais contra a bolsonarista.

Em nota enviada nesta segunda (19) ao Blog Cenário, a Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE) afirmou que a atividade estava de acordo com o currículo escolar e negou favorecimento político. Também informou que estudantes demonstraram indignação com a divulgação das imagens sem autorização e ressaltou que gravar a rotina escolar sem finalidade pedagógica e sem a devida autorização é proibido.

No texto, a pasta rejeitou a convocação feita pela deputada, apontando ser ilegal o uso de celular em sala de aula é a gravação de professores, reforçando que o ambiente escolar deve ser pautado pela democracia, pluralismo de ideias e respeito a diferentes opiniões.

Confira a íntegra da nota:

A Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE) esclarece que as atividades pedagógicas realizadas nas escolas da rede estadual de ensino são pautadas pela estrita neutralidade, sem qualquer viés político ou favorecimento a candidatos.

A pasta informa ainda que o vídeo divulgado pela deputada federal foi gravado por um estudante durante parte de uma atividade pedagógica de Linguagens sobre estudo de argumentação, realizada na última semana de setembro na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Joaquim Távora, no Recife, com a análise do discurso político de diferentes candidatos. A aula e o material didático questionados foram apresentados em total conformidade com o currículo escolar.

Diante dos fatos, a gestão da escola realizou a escuta dos estudantes presentes na aula, que se manifestaram indignados com a divulgação do vídeo sem autorização e preocupados com a preservação da imagem, da privacidade e dignidade dos envolvidos. O aluno que gravou o vídeo foi identificado, mas a escuta do jovem junto aos seus responsáveis não foi possível devido à ausência dele às atividades escolares desde o ocorrido. Além disso, a equipe gestora orientou os professores a manter uma postura de neutralidade política no ambiente escolar diante do cenário eleitoral.

Em conformidade com a Lei Federal nº 15.100/2025, que proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis nas escolas, a pasta orienta todas as unidades da Rede Estadual de Pernambuco a adotar normas de convivência para a sua implementação. A SEE ressalta, portanto, que a gravação da rotina escolar, como convocado pela deputada federal em suas redes sociais, sem fins pedagógicos e sem a devida autorização é expressamente proibida.

A Secretaria de Educação de Pernambuco reforça seu compromisso com a preservação da escola como um ambiente pautado pela democracia, pluralismo de ideias e respeito a diferentes opiniões.