
Os deputados estaduais Sileno Guedes, Rodrigo Farias e Romero Albuquerque, todos do PSB, enviaram, nesta quarta (19), à Assembleia Legislativa, um pedido de impeachment contra a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD).
A iniciativa ocorre em meio à repercussão de uma auditoria do Ministério da Saúde que apontou supostas irregularidades em procedimentos realizados pela Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, unidade que tem entre os sócios Jorge Branco, marido da vice-governadora.
De acordo com os parlamentares, o pedido também se baseia em denúncias anteriores relacionadas ao período em que Priscila assumiu interinamente o Governo de Pernambuco. Segundo a oposição, durante esse tempo foram assinados cerca de R$ 200 milhões em recursos orçamentários que alcançaram o hospital administrado pelo marido da vice-governadora. Os deputados também alegam que a unidade recebeu R$ 75 milhões do Estado.
A auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), divulgada na última semana, identificou prováveis inconsistências em procedimentos de oncologia, hemodiálise e outros atendimentos. O relatório apontou prejuízo de aproximadamente R$ 905 mil em recursos federais e recomendou a devolução dos valores ao Fundo Nacional de Saúde. A fiscalização analisou R$ 55,8 milhões repassados à unidade entre janeiro de 2023 e julho de 2025.
O hospital, por sua vez, contestou as conclusões da auditoria e afirmou que os procedimentos questionados foram realizados, alegando possuir documentação para comprovar os atendimentos. A instituição também informou que adotará medidas administrativas e judiciais para contestar os apontamentos.
Na representação apresentada à Alepe, os deputados sustentam ainda que Priscila nomeou responsáveis pelas áreas jurídica, de licitação e financeira da Secretaria Estadual de Saúde que, segundo eles, participavam da cadeia de pagamentos relacionada ao hospital. Para os parlamentares, o conjunto de fatos justifica a abertura de uma investigação formal pelo Legislativo estadual.
A apresentação do pedido é uma primeira fase do trâmite. Os deputados ainda precisam colher 17 assinaturas de parlamentares que concordem com a solicitação, para que o documento possa ser efetivamente protocolado.
A segunda fase, caso conquistem as assinaturas necessárias, será a votação em plenário, quando todos os deputados analisam a admissibilidade do texto. Havendo aprovação, aí sim a Alepe abre o processo de cassação que dependerá de toda uma análise.
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Confira a nota na íntegra
Na condição de membros da Assembleia Legislativa de Pernambuco, e diante da importância de fiscalizar e acompanhar os recursos públicos geridos pelo Governo de Pernambuco, ingressamos nesta quarta-feira (19/08) com pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause.
A medida ocorre depois de uma série de denúncias já feitas pela bancada da oposição quando a vice-governadora ocupou interinamente a chefia da administração estadual, assinando R$ 200 milhões de orçamento que também chegava ao hospital que tem, como principal sócio e administrador, seu marido, Jorge Branco – com quem é casada em comunhão de bens.
Na última semana, auditoria federal apontou irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nsa. do Perpétuo Socorro LTDA com graves prejuízos aos cofres públicos, principalmente pelo apontamento de fraudes em tratamentos de câncer e de hemodiálise. A auditória se tornou um escândalo nacional, revelado pelos veículos de imprensa.
Some-se a isso, o fato de a unidade já ter recebido R$ 75 milhões do Governo de Pernambuco, o que reforça a necessidade da devida investigação. De acordo com informações disponíveis no próprio Diário Oficial, Priscila Krause ainda nomeou os responsáveis das áreas jurídica, de licitação e financeira da Secretaria de Saúde que cuidavam de toda a cadeia de pagamento para o hospital gerido pelo seu marido.
Esse conjunto de irregularidades, que fez o Ministério da Saúde exigir que o marido da vice governadora faça a devolução de recursos para o SUS, nos levaram a exigir que a Assembleia Legislativa se mobilize formalmente para apreciar o caso.
O nosso objetivo é que tudo seja devidamente apurado como prevê a lei, diante de indícios evidentes de graves irregularidades. O impeachment é necessário para proteger o dinheiro do SUS, que está sendo desviado para o marido da Vice-Governadora.
Atenciosamente,
Sileno Guedes
Deputado estadual e presidente da Comissão de Saúde da Alepe
Rodrigo Farias
Deputado estadual e vice-presidente da Alepe
Romero Albuquerque
Deputado estadual
