
Por Victória Oliveira*
A movimentação mais recente da prefeita de Olinda, Mirella Almeida (PSD), deixa claro que seu governo vem buscando reagir administrativamente e politicamente. Ao reunir, nesta semana, 11 vereadores de sua base em um encontro com a governadora Raquel Lyra (PSD) e, na semana anterior, consolidar maioria na Câmara Municipal com 15 dos 17 parlamentares, a chefe do Executivo municipal tenta virar a chave e dar tração a uma gestão que vem sendo marcada por instabilidades.
O encontro girou em torno da previsão de cerca de R$ 50 milhões em investimentos em parceria com o Governo do Estado.
O movimento também reposiciona a relação com o Palácio, uma vez que Olinda é uma das cidades estratégicas da Região Metropolitana do Recife para o projeto de reeleição da atual governadora. A vitória de Mirella em 2024 não foi isolada: integrou a estratégia vitoriosa de Raquel Lyra na RMR, em uma disputa indireta, cidade a cidade, com o então prefeito do Recife, João Campos (PSB), quando já se desenhava o início da disputa estadual. Nesse contexto, o município segue como peça relevante no chamado “cinturão metropolitano”.
Ao mesmo tempo, a prefeita tenta reagir ao desgaste acumulado. Desde que assumiu, em 2025, Mirella enfrenta um cenário de desorganização administrativa, além de instabilidade política. Um dos episódios foi o pedido de impeachment apresentado pelo advogado Antônio Campos, com questionamentos sobre transparência e prestação de contas, especialmente no período do Carnaval, que, inclusive neste ano, se tornou mais um ponto de tensão diante das críticas à limpeza urbana e à condução da gestão, contribuindo para o enfraquecimento da imagem administrativa.
Agora, Mirella busca recompor sua base, garantir investimentos e melhorar a capacidade de entrega. Diante da baixa aprovação, aposta na articulação política e em resultados concretos como caminho para virar a página em Olinda e, de quebra, ela ainda dá sua contribuição de apoio à reeleição da governadora.
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Monitoramento – A prefeita de Olinda, Mirella Almeida (PSD), e o vice-prefeito Chiquinho (PSD), anunciaram a abertura de mais três abrigos na cidade, além dos que já estão em funcionamento, para receber e salvaguardar a população devido ao intenso volume de chuvas registrado em Pernambuco desde ontem (1º).
Precaução – O pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), assim como os integrantes da chapa, retornaram das agendas no Agreste, que cumpriam desde quinta (30), para o Recife, onde acompanham a situação das chuvas na capital e região. Do mesmo modo, a governadora Raquel Lyra (PSD), que estaria ontem (1º) em Panelas, para a abertura do Festival de Jericos, cancelou sua presença.
Eleitoral – O presidente Lula se solidarizou com as chuvas em Pernambuco nas redes sociais, mas com sinal político ao mencionar articulação com o pré-candidato João Campos (PSB) e o senador Humberto Costa (PT), na parceria de ajuda da União. Chamou atenção a ausência de menção à governadora Raquel Lyra (PSD) e à gestão do prefeito Victor Marques (PCdoB), responsáveis diretos pelas ações emergenciais.
Presença – Apesar de integrar a base da governadora Raquel Lyra (PSD), Fernando Dueire (PSD) reforçou seu perfil de “senador municipalista” ao acompanhar, ontem (1º), a abertura do Festival de Jericos, em Panelas. Ele esteve ao lado do prefeito Rubem Lima (PSB), aliado de João Campos (PSB).
Tragédia – Até o fechamento desta coluna, Pernambuco registrou quatro mortes devido às fortes chuvas no estado, além de 422 pessoas desabrigadas e 1.068 desalojadas. Os números expõem problemas estruturais já existentes: ocupação irregular de áreas de risco, falta de drenagem adequada, saneamento precário e planejamento urbano insuficiente.
*Repórter do Blog Cenário
