Artigo: Educação Já!


Artigos
27 de junho de 2020 às 13h11min - Por Américo Rodrigo

Foto: Pablo Valadares

“É do senso comum reconhecer a importância da educação para o desenvolvimento de um país. De fato, ela é decisiva. Por algumas razões.

Em primeiro lugar, a educação garante a cidadania. Só uma pessoa que compreende o mundo é capaz de fazer escolhas com autonomia. Depois, a educação é fundamental para a vida econômica. Pessoas de mais alta escolaridade ficam com os melhores empregos no mercado de trabalho. Em terceiro, a educação é determinante para a saúde. Indivíduos mais bem informados, têm hábitos mais saudáveis. E ainda, a educação tem grande impacto na segurança. Inúmeras pesquisas mostram que cidadãos mais educados têm menor propensão à violência. Quando esses efeitos se somam em uma sociedade que oferece boa educação para todos, o que se tem é um país de mentalidade mais democrática, com maior prosperidade econômica, socialmente mais justo, mais coeso, mais saudável e mais seguro. Não por acaso, os países mais desenvolvidos do mundo têm elevado capital humano. Ou seja, investiram muito em educação.

No Brasil, nos últimos 25 anos, avançamos em alguns aspectos. Praticamente universalizamos a oferta no ensino básico e implantamos sistemas de financiamento e avaliação. Alguns estados e municípios lideraram experiências vitoriosas. Mas, ainda estamos muito longe de vencer o desafio da aprendizagem para a imensa maioria dos nossos alunos, sobretudo da escola pública. Nos últimos dez anos, ficamos estagnados nas últimas posições do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), o mais importante sistema de avaliação de aprendizagem do mundo. Nosso desafio, portanto, é monumental.

Nesse cenário, é inadmissível que tenhamos perdido um ano e meio sem dar um passo à frente nessa área primordial para o futuro do país. A rigor, nada foi feito pelo Ministério da Educação para cumprir sua missão de coordenar as políticas educacionais para a nação. Dois ministros passaram pelo cargo e nada foi produzido. No caso do último, então, só vimos disparates, insanidades, agressões e um ativismo ideológico espetaculoso e vulgar. A verdadeira marcha da insensatez.

E o mais grave de tudo isso é que já existem evidências e conhecimento suficiente para atestar o que dá certo e o que dá errado em política educacional. O Todos Pela Educação, inclusive, com a participação de inúmeros especialistas e gestores, elaborou um roteiro, a partir dessas evidências, e ofereceu a todos os candidatos à Presidência da República, em 2018. As prioridades escolhidas, acertadamente, são: investimento na primeira infância; alfabetização na idade certa; implantação da Base Nacional Comum; diversificação do ensino médio; aprimoramento do sistema de financiamento, com o novo Fundeb; criação de um sistema nacional de educação, para melhor definir atribuições dos entes federados; e, por fim, a valorização e a reestruturação da carreira dos professores. Agora, soma-se a esse conjunto de ações o grande esforço a ser feito para superar as consequências da pandemia do coronavírus.

Apesar dos efeitos dessa tragédia humanitária imprevista, há experiência e conhecimento acumulado suficiente sobre como melhorar a escola pública. A questão é querer fazer. Portanto, que o novo ministro se disponha a isso. Educação já!”

Raul Henry
Deputado federal (MDB)


Comentários