
Após o fim do segundo turno, no qual perdeu as eleições para o presidente Lula (PT), reeleito para comandar o país, o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil e desembarcou nesta quarta (28) nos Estados Unidos, acompanhado da família. Horas depois, publicou uma carta destinada a seus eleitores e aliados, na qual se declara “o verdadeiro presidente do Brasil” e agradece ao presidente americano Donald Trump e ao presidente da Argentina, Javier Milei.
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“Antes de mais nada, queria agradecer ao presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão”, disse Flávio.
Na carta, ele ainda comenta o resultado das eleições, classificando-o como ilegítimo.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin”, diz em outro trecho.
Após o fim da apuração, o Tribunal Superior Eleitoral declarou o presidente Lula reeleito, com 64,2 milhões de votos no segundo turno, quase 4,5 milhões a mais que Flávio Bolsonaro. O resultado foi reconhecido pelo Judiciário brasileiro, por organismos internacionais e pela oposição, incluindo o PL, partido de Flávio.
O senador também comentou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que protocolou um pedido de apreensão de seus passaportes em razão de investigações em andamento.
“Sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime.”
A carta também relata perseguição política desde o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirma que não fugiu do Brasil.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista. Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. não fugi do Brasil, eu sai pelo Brasil”, alega.
Por fim, Flávio se dirigiu a seus eleitores e aos políticos que ajudou a eleger, afirmando que liderará a oposição diretamente dos Estados Unidos, por se considerar impedido de exercê-la no Brasil.
“Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui.
E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.
Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um pais livre. E esse dia vai chegar”, finalizou.

